26 de jan. de 2005

Forrest Gump


Meu caminho é cada manhã, não procure saber onde estou
meu destino não é de ninguém, eu não vejo os meus passos no chão...

Hoje eu saí pra fazer minha caminhada debaixo de chuva.
Sabe quando a coisa se torna uma questão de honra?
Quando você se propõe a encarar uma atividade física é assim: até sair de casa é um verdadeiro tormento, tudo se faz motivo pra você não ir, mas, uma vez vencida essa barreira,aí rola normal.
Lá fui eu naquela garoinha chata, gelaaada...
Em alguns momentos a chuva engrossava,mas voltar,nem pensar. O jeito foi abstrair.
Se o meu corpo virasse sol...minha mente virasse sol, mas só chove...
Pouca gente no trajeto,a rua praticamente só minha, salvo um ou outro corredor obstinado que me lançavam olhares ora solidários, ora de estranheza, tipo:"eu sou um atleta, quem ela pensa que é?" Pra esses o meu olhar retribuído era simplesmente: "foda-se".
O corpo começa a esquentar. A endorfina se espalhando causa a sensação de que três voltas em torno do globo terrestre talvez não sejam suficientes. Vamos dar cinco (Ufa!).
A medida q ia avançando no meu percurso mundo afora, outra viagem não menos interessante começava a acontecer Ana adentro.
Se um dia eu pudesse ver meu passado inteiro, e fizesse parar, chover, nos primeiros erros...
Vi tanta coisa...
Fazendo um balanço de tudo que se apresentava no filminho da minha vida, pensei que o melhor mesmo é que o passado permaneça onde está, ou seja: no passado.
Quanto aos erros, bem, prefiro rebatizá-los de experiência, pois pra alguma coisa boa foram posteriormente revertidos.
Nossa, como eu andei... Já tá bom de voltar.
Lá fora só chove...chove... Aqui dentro: Here comes the sun...


:-)
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20 de jan. de 2005

Mais louco é quem me diz

Corrijam -me se eu estiver errada, mas... é viagem minha ou o número de pessoas perambulando a êsmo na rua, falando sozinhas aumentou consideravelmente?
Cheguei agora mesmo da minha caminhada (quase) habitual e ainda não consegui digerir direito o que acabei de presenciar.
Ainda na ida, passei pela figura cambaleante, praguejando sozinho e gesticulando muito, mais ou menos como fazem os flanelinhas manobristas, mas em direção do nada. Me chamou a atenção o fato dele estar bem arrumado, com roupas boas, ou seja, homeless não era.
Na volta, gente, e isso não me sai da cabeça, foi que a cena aconteceu; o mesmo homem estava simplesmente fazendo xixi no poste, com a perna levantada exatamente como um cachorro.
Dito assim pode parecer engraçado, as pessoas em volta riam, a porta do bar próximo se encheu de gente pra ver e gargalhar desse verdadeiro freak-show.
Isso me chocou profundamente. Como alguém pode se divertir à custa da degradação e da desgraça humana? Fiquei mal, de verdade. Duas coisas me vieram imediatamente à cabeça durante o trajeto da volta: uma, a Balada do Louco, dos Mutantes, que infelizmente não se encaixaria neste caso. Impossível mesmo foi deixar de pensar em Manuel Bandeira:

Vi ontem um bicho


Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.




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17 de jan. de 2005

Prince Charming



I Ato - Cena 1

- Mãe, me leva no show do Felipe Dylon no domingo?
_ Hã? Show de quem?
_ Do Felipe Dylon, mãe... O tio me deu dois ingressos.
_ Ah, tá...(meu irmão me paga!)Onde é mesmo?
_ No Credicard Hall.
_ Caralho, Marina...
_ ...
_ Tá bom, vai...depois a gente combina isso direito.


Cena 2

_ Show do Felipe Dylon, Mau.
_ O quê? Quando?
_ Domingo...No Credicard Hall.
_ Ai caralho....
_ Pois é, foi o que eu disse.


II Ato

Domingo.O show estava marcado para as 19h.
Correria com almoço porque a gente tinha que sair cedo pra retirar os convites na portaria e porque esse raio de Credicard Hall fica no meio da puta que pariu, talvez mais pra lá um pouquinho. Fiquei meio azeda, mas já tinha prometido, fazer o quê.
Como meu irmão Felipe costuma dizer, no inferno eu já estava mesmo, era tudo só uma questão de dar o braço ao capeta. Pelo menos o calorão dos últimos dias tinha dado uma trégua.
Chegamos. Não sei se eu estava mais mau-humorada com o programa (de índio) em si ou com a verdadeira fauna que se formava à nossa volta.
Numa balada desse naipe, até a idade da Marina, ou no máximo até uns 16 anos eu considero normal. Passando disso, como umas figuras que eu vi por lá beirando os 20, me poupem, essas meninas têm algum problema. Porque se não tiverem melhor chamar a polícia - devem ser pedófilas.
Mas o pior ainda estava por vir. Mães posando de gatinhas, mães querendo ser irmã (gêmea) da filha, se esmerando no modelito igual pras duas...um horror, um horror. Sem falar nos fã-clubes...Ai...
A minha cara devia ser um show a parte, porque minha filha já estava ficando angustiada:
_Vai, mãe, talvez nem vá ser tão ruim assim.
Fiquei com pena dela e desmanchei a tromba.
_ Tá certo, vamos entrar logo.
Não demorou muito o tal Felipe Dylon entrou no palco debaixo de uma histeria ensurdecedora.
A essa altura o menos pior a ser feito seria relaxar, já que não tinha mais jeito. Também não teve jeito de virar a chave do meu ouvido ultra-crítico. Esperei pelo pior. E quebrei a cara.
A banda de apoio que o acompanha é ótima. Não se vê um erro, nem um rabinho, perfeição ao extremo, profissionalíssima.
O menino também não é nada bobo, deve estar estudando e toca bem direitinho. Mesmo assim, fiquei pensando se aquela Gibson Les Paul que ele usou na abertura não seria areia demais pro seu caminhãozinho Hot Wheels.
Outro ponto inegável: o moleque é o carisma em pessoa, muito gracinha, sabe cativar sem fazer o menor esforço com aquela carinha de príncipe encantado.
Cantando ele é bem fraquinho, mas a julgar pela pouca idade, e possívelmente por estar mudando de voz, o resultado é razoável.
Me impressionou ver como ele é menino de tudo e aliás esse é o dark side da história - o mocinho estava visivelmente esgotado, exausto, mas segurou a peteca, melhor dizendo, nesse caso, a onda, e não decepcionou ninguém.
A música dele é um lixo, mas também, não se pode ter tudo, né?
Isso tudo eu concluí confortavelmente sentada na excelente poltrona da sala de espetáculos( que por ser no meio do nada tinha mais é que ser muito boa mesmo) enquanto minha filha se acabava de pular e cantar feliz da vida misturada no meio das outras meninas.
E esse foi o meu domingo. E com vocês? Tudo em paz?

:-)

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16 de jan. de 2005

"Parece coisa de Pequeno Príncipe, mas eu me sinto responsável."

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"Blog também é responsabilidade. Parece coisa de Pequeno Príncipe, mas eu me sinto responsável".(Rosana Hermann)
Olá queridíssimos!
Após mais um escabroso episódio de "Experiências Traumáticas com Produção de Eventos", seguido do mais recente capítulo da novela(mexicana, com certeza) "Nunca Mais Quero Fazer Isso na Vida", estou finalmente e definitivamente de volta.
Por motivos que nem valem o desgaste do meu tosco teclado, mas que me deixaram bastante chateada, deixei o blog de lado, confesso. O meu e todos que regularmente visito. Perdão, queridos.
Mas aí, hoje, domingão, a casa inteira dormindo, resolvi dar uma volta no mundo virtual enquanto a água do café não fervia, e deparei com esta frase da sempre sábia e genial Rosana Hermann. De repente...BUM! A bolha da autocomiseração estourou e fez um barulho tão grande na minha cabeça, que quase nem percebi que a água do café já estava quase esturricando a caneca.
Fiz o café, echi um xicrão passando a régua, a fim de me embebedar logo e cair de joelhos aqui diante de vocês. Ai... desculpem o dramalhão, deve ser o porre de café junto com a novela mexicana fazendo efeito.
Então, sem querer ser piegas e pra esse texto não acabar virando uma encheção de saco, isso tudo foi pra dizer que o blog, ou seja, todos vocês que passam por aqui, são parte importante da minha vida, que eu não posso negligenciar de jeito nenhum.
Claro que virão outras fases que nem sempre vai ser possível a assiduidade,mas pelo menos uma linha pra falar"sim, estou aqui!" de algum jeito vai ter que aparecer.
Exatamente como faz a mestra Rosana. A benção mais uma vez, querida e obrigada.
Beijos a todos e boa semana!
:-)
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