17 de jan de 2005

Prince Charming



I Ato - Cena 1

- Mãe, me leva no show do Felipe Dylon no domingo?
_ Hã? Show de quem?
_ Do Felipe Dylon, mãe... O tio me deu dois ingressos.
_ Ah, tá...(meu irmão me paga!)Onde é mesmo?
_ No Credicard Hall.
_ Caralho, Marina...
_ ...
_ Tá bom, vai...depois a gente combina isso direito.


Cena 2

_ Show do Felipe Dylon, Mau.
_ O quê? Quando?
_ Domingo...No Credicard Hall.
_ Ai caralho....
_ Pois é, foi o que eu disse.


II Ato

Domingo.O show estava marcado para as 19h.
Correria com almoço porque a gente tinha que sair cedo pra retirar os convites na portaria e porque esse raio de Credicard Hall fica no meio da puta que pariu, talvez mais pra lá um pouquinho. Fiquei meio azeda, mas já tinha prometido, fazer o quê.
Como meu irmão Felipe costuma dizer, no inferno eu já estava mesmo, era tudo só uma questão de dar o braço ao capeta. Pelo menos o calorão dos últimos dias tinha dado uma trégua.
Chegamos. Não sei se eu estava mais mau-humorada com o programa (de índio) em si ou com a verdadeira fauna que se formava à nossa volta.
Numa balada desse naipe, até a idade da Marina, ou no máximo até uns 16 anos eu considero normal. Passando disso, como umas figuras que eu vi por lá beirando os 20, me poupem, essas meninas têm algum problema. Porque se não tiverem melhor chamar a polícia - devem ser pedófilas.
Mas o pior ainda estava por vir. Mães posando de gatinhas, mães querendo ser irmã (gêmea) da filha, se esmerando no modelito igual pras duas...um horror, um horror. Sem falar nos fã-clubes...Ai...
A minha cara devia ser um show a parte, porque minha filha já estava ficando angustiada:
_Vai, mãe, talvez nem vá ser tão ruim assim.
Fiquei com pena dela e desmanchei a tromba.
_ Tá certo, vamos entrar logo.
Não demorou muito o tal Felipe Dylon entrou no palco debaixo de uma histeria ensurdecedora.
A essa altura o menos pior a ser feito seria relaxar, já que não tinha mais jeito. Também não teve jeito de virar a chave do meu ouvido ultra-crítico. Esperei pelo pior. E quebrei a cara.
A banda de apoio que o acompanha é ótima. Não se vê um erro, nem um rabinho, perfeição ao extremo, profissionalíssima.
O menino também não é nada bobo, deve estar estudando e toca bem direitinho. Mesmo assim, fiquei pensando se aquela Gibson Les Paul que ele usou na abertura não seria areia demais pro seu caminhãozinho Hot Wheels.
Outro ponto inegável: o moleque é o carisma em pessoa, muito gracinha, sabe cativar sem fazer o menor esforço com aquela carinha de príncipe encantado.
Cantando ele é bem fraquinho, mas a julgar pela pouca idade, e possívelmente por estar mudando de voz, o resultado é razoável.
Me impressionou ver como ele é menino de tudo e aliás esse é o dark side da história - o mocinho estava visivelmente esgotado, exausto, mas segurou a peteca, melhor dizendo, nesse caso, a onda, e não decepcionou ninguém.
A música dele é um lixo, mas também, não se pode ter tudo, né?
Isso tudo eu concluí confortavelmente sentada na excelente poltrona da sala de espetáculos( que por ser no meio do nada tinha mais é que ser muito boa mesmo) enquanto minha filha se acabava de pular e cantar feliz da vida misturada no meio das outras meninas.
E esse foi o meu domingo. E com vocês? Tudo em paz?

:-)

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