8 de ago de 2005

Gardenias para ti



Nenhuma gardênia floriu hoje.
Ontem fui surpreendida logo pela manhã com a triste notícia de que Ibrahim Ferrer se mudou pro andar de cima.
O músico de 78 anos havia acabado de chegar, na quarta, já doente, de uma turnê européia, e morreu em Havana durante a tarde.
Transformado em uma estrela internacional pelo sucesso do documentário de Wim Wenders, Buena Vista Social Clube de 1999, durante os últimos anos Ferrer girou quase constantemente o mundo, com uma banda que era para ele como um "sonho tornado realidade".
Em sua turnê européia, encerrada na semana passada, o cantor se apresentou no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, na Grã-Bretanha, Holanda, Áustria, França e Espanha. Ferrer apresentava uma coletânea de boleros que estava gravando e pretendia lançar em 2006.
Sua história de vida também daria um filme e tanto. O cantor, cuja voz já foi comparada à de Nat King Cole, nasceu durante um baile, em um clube social de Santiago, Cuba, no dia 20 de fevereiro de 1927, quando sua mãe entrou inesperadamente em trabalho de parto.
Aos 14 anos, começou a cantar profissionalmente, e, na década de 50, já era um cantor com certo prestígio em Cuba.
No final da década, no entanto, com o fechamento dos cassinos em Cuba ordenado pela revolução, o campo de trabalho para as orquestras e músicos do país ficou muito reduzido e a carreira de Ferrer, bem como a de diversos músicos que não deixaram a ilha, sofreu um declínio.
Em 1996, o músico cubano Juan de Marcos González teve a idéia de reunir um grupo de antigos "soneros" de várias gerações para gravar um disco, que teria produção do guitarrista americano Ry Cooder. Marcos foi buscar Ferrer em casa, no bairro popular de Jesús María, em Havana, onde ele vivia, para propor sua participação no projeto "Buena Vista Social Club".
Com o disco, lançado em 1997, o cantor experimentou uma fama que não conhecera nem nos anos 50. Músicos como ele, Portuondo, González e Ochoa, todos na casa dos 60 e 70 anos, ganharam uma inesperada segunda carreira musical pelo disco vencedor de um Grammy.
O documentário de Wenders, lançado em 1999, ajudou a consolidar ainda mais a fama e a imagem do grupo e de seus integrantes individualmente.
Além de cantar boleros e son, ritmo essencialmente cubano, Ferrer gostava de trabalhar com artistas mais jovens e de outros gêneros musicais. Em 2001, o líder do Blur, Damon Albarn, fã de Ferrer, chamou o cantor para participar da gravação do primeiro disco de seu "grupo virtual" Gorillaz, na faixa "Latin Simone". O grupo cubano Orishas, também fãs declarados, chegaram a convidá-lo para gravar, mas essa parceria nunca chegou a acontecer. Infelizmente.


Fonte:UOL

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